Segundo o Houaiss, Quodore é uma pequena porção de vinho, uma pequena porção de alimento. Também é uma bebida ordinária, um café ralo, algo para o desjejum. Aqui, são fragmentos, ideias, pensamentos tolos, outros tipos de pensamento. Enfim, um cadinho de alimento...
terça-feira, 15 de maio de 2012
As fitinhas...
segunda-feira, 2 de abril de 2012
“Como se fora brincadeira de roda”
quinta-feira, 15 de março de 2012
E se um dia perder a cabeça?
Pois bem... alguém já viu uma girafa dormindo? Roncando?
Quando descobri, por mero acaso, que as girafas podem desatarrachar suas cabeças e pendurá-las, com procedimento e segurança e para descanso e reflexão, tive um espasmo muscular de riso febril e de espanto genuíno: “Como nunca percebemos esta característica tão sobrenatural e formidável desses seres pescoçais?”
A verdade é que nunca vira “Discovery Channel”, “National Geographic”, “Superinteressante”, ou qualquer publicação do gênero explorar esta potencialidade incrível das girafas. Um espetáculo! Haja superlativos para explicar este dom. As girafas simplesmente desatarracham as cabeças e as colocam para repousar. Fica lá o pescoção, sem nada, nadinha da silva, para lhe ornamentar. É verdade que pelo tamanho das girafas - e ninguém fica olhando para o teto procurando a cabeça de uma girafa, pois sempre paramos e nos embriagamos com o pescoço - é difícil ter a noção exata do que acontece nas cabeças girafais. Mas, convenhamos, um feito desta magnitude tinha que ser louvado, em prosa, verso e oração.
O que mais me espantou foi a naturalidade com que as girafas retiram suas cabeças. Para quem não tem membros superiores, o improvável acontece de forma quase lógica: O pescoção começa a girar, contorcionismo puro, ela faz uma mira e prum... a cabeça voa e se estaciona numa árvore, num andar de edifício, num andaime qualquer. E para colocar de volta? A danada se recolhe um pouco, quase um agachar, e a atarracha, num golpe de pura mágica. Se fosse dado a misticismos ou crendices outras, diria que trata-se de um ser mágico, divino, colossal, um unicórnio ou um dragão. Em cotejo com este estupendo fenômeno da natureza, o fantástico, a mente humana e suas assombrosas teorias divinais ou a própria roda, quiça o ar condicionado, se transformam em miudezas.
Fico imaginando se os autores dos contos de fadas para crianças, como “Papai Noel”, “Coelhinho da Páscoa”, “O Homem do Saco” e o “Bicho Papão”, tinham a exata noção do que acontecia nas savanas africanas, e escondiam com perfídia dos incautos normais tal sabedoria – o que explicaria a longevidade no imaginário popular e infantil de tais estórias, ou se o engenho humano ainda pode criar histórias ainda mais incríveis, sabedores que somos, só agora, da minha descoberta. Torço vivamente pela segunda hipótese.
Reconhecer que um mamífero de cinco metros, repito – cinco metros! - pode desatarrachar a cabeça amplia, e muito, nossas possibilidades de imaginação: “Darth Vader”, o “Curupira”, “Harry Potter”, “Jeanie é um gênio”, “Governo de Coalizão”! Que nada, se as girafas podem o que podem, nós podemos ainda mais!
quinta-feira, 8 de março de 2012
Articulação Sinovial e Complexa...
Mas sobre um tema absolutamente relevante: Joelhos.
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Que coisa é essa.....
joelhos são joelhos e ponto final.
mas que joelhos.... armazenam sussurros contidos... comprimidos
sustentam coxas alegres, bela paisagem.
caminho suave do olhar, desvio obrigatório.
rota de passagem de muito querer.
que joelhos.... há caminhos que me levam a tocá-los?
Que joelhos são esses que me dizem tudo o que quero?
Somente um olhar basta para reconhecer cada prazer...
Cada prazer que poderia ter, que poderia ser... tocar.
Que joelhos são esses? Joelhos são joelhos e ponto final.
1994. nalgum canto.
PS.: Obrigado à Vanessa Dantas e ao Xico Sá, que me fizeram lembrar deste poema numa tuitada de hoje.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Opressões
E para começar 2012 aqui nesta confeitaria, um desses sonhos.
Antes, e para acalmar Dona Maria Helena, minha mãe, leitora assídua e secreta deste espaço, um tranquilizante: "Mãe, o que vai para o blogue são os escritos, os rascunhos, as idéias. A vida real, só as vezes. E muito vez em quando... Beijo, mãe!"
Última observação: ... muito embora um pouco, ou muito - talvez, da angústia do texto já tenha saboreado. As insônias também são opressoras, indubitavelmente.
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Ando com tanto, mas tanto, mas tanto sono que sei que isso é irreal. Durmo em frente à tela do computador e não sei se escrevo tintas, lamúrias, consignações, desejos, virtudes, lampejos. Só sei que estou aqui, dormindo. O que equivale a dizer que nem sei onde estou. Não é simples não saber onde, nem como, nem por onde começar. Alguns dizem que pelas gavetas. Eu desconfio que seria pela cama, logo cedo, ou ontem à noite, na hora de se deitar. Dormir mais cedo. Dormir melhor. Ou vir direto, deixar isso para quando tiver vontade. Ou, ainda, soçobrado de vez, internado nalgum hospício de estrada ou na mesa de um botequim barato onde a cerveja caiba no bolso e uma dose de fernet, para arruinar o fígado que pede um pouco de paz.
Aos escombros é difícil encontrar paredes, âncoras, ânforas, cousas práticas para nos segurar ou nos manter em pé. Ouço vozes descompassadas, ordens imperiosas, gritos, alguém pedindo socorro. Desconfio que seja a minha própria voz, embora possa ser a do colega de trabalho, do motorista de ônibus, do atendente do café, dos ascensoristas, dos vigias de rua, dos bêbados, do homem de gravata. Só peço, ainda que sem vontade, que não seja a florista a me chamar, que ela é linda e seria um desperdício. Nem aquela moça de saia florida, que nem sei morena, ruiva, negra... só guardei foi o vestido.
Nem sei onde estou. Se estou no escritório, numa sala de aula embaçada pelo olhar míope, na escadaria da Sé, nos fundos da boate, num quarto escuro, num salão de baile. Baile? Não... não sinto cheiro de lança-perfume, nem de remédio broncodilatador. Bom, deve ser certo que ainda não estou num pronto socorro, num hospital, num velório. Nem o meu. Seria cínico afirmar que a vista está turva, que estou sonhando, que há elefantes na lama ou macacos no sótão. Seria cínico porque estou com tanto sono que nem me lembro mais. Só que o travesseiro cheira a amônia, de suor talvez.
Será que estou na rua, vivendo em caixas de papel ou cachimbos da paz e por isso não sei mais de nada? Talvez sejam os quarenta anos, os planos fracassados, os clamores não atendidos, os deuses dos outros ou algo que comi e me faz mal. Nem tanto o estômago, mas mais o fígado, o intestino, a lombriga, a lordose, a hérnia de hiato. Um bocejo seria um sinal, que não vem. Mas coça. Felizes, infelizes, modestos, imodestos, glória, vaidade, cabelo despenteado, nariz escorrendo. Quem será que está do outro lado? Eu? Não, eu não sei... tanto sono... Talvez devesse pegar um papel, uma caneta e anotar o desvario. Ou ao menos esquecer.
2012. janeiro.