segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Conversas de Estio



Roupas, tecidos e estações climáticas



Adoro vestidos. Eles são para mim como o sol. Há nos vestidos algo encantador, algo de sobrenatural. Os longos insinuam tornozelos e há ali um convite desesperado pela panturrilha. Os médios revelam joelhos e é este um fraco de minha alma: Joelhos. Os curtos, os mínimos, deixam as coxas todas à mostra, aquele par de vidas, de calor, de trilhas sinuosas em direção ao mais perfeito dos vales.


Os inteiros podem também revelar os seios. O colo. A parte mais gostosa de uma lida. E imaginar aquele doce caminho que começa por ali e se encerra abaixo do ventre é simplesmente um sonho perfeito. Desses sonhos que nos tiram o sono, nos deixam alegres e nos fazem respirar.


Adoro vestidos, saias, tubinhos. Gosto dos pretos, básicos. Dos coloridos. Dos hippies, dos indianos. Dos frescos e dos de festa. Adoro aquelas penugens que elas tentam disfarçar, mas reveladoras das mais íntimas intenções, ao arrepio. E é inacreditável o quão belo é um por do sol num vestido branco, transparentes vielas ao infinito indeterminável das possibilidades repletas.


Os floridos me deixam animados e o sol brilha intensamente naqueles que tem alça, alcinhas que nos deixam ver os tecidos do sutiã ou as sardas, as pintas, os calores e aquelas gotas de suor indiscretas, típicas de sol quente.


Ela, que sabe de tudo isso, deixa os vestidos para os dias de sol, para tomar um café na padaria, para comer um simples pãozinho francês ou para perambular pelos corredores de minhas fantasias e volúpia. Ou simplesmente para subir escadas, desfilando numa passarela que o meu imaginário sorrateiro tem deleites e texturas.


Escrever este manifesto, esta ode para a mais nobre das vestimentas, a mais tenra das recordações, a mais suculenta das formas, é uma forma de dizer que o verão está chegando. Um alerta. Os armários, estes guardiões imperfeitos e suas donas maravilhosas, estão ansiosos pelos dias mais quentes e para os vestidinhos mais bonitos e escondidos. Os espelhos agradecem. E nós? Nós ficamos aqui a escrever panfletos sobre pernas, joelhos, panturrilhas, pés, coxas, bumbuns, colos, sardas, pintas, suores e canções de amor.


Pode não ser muito, mas é tudo.


2008. novembro, 10.

8 comentários:

Eliana Klas disse...

Ah, que maravilha de texto!

É daqueles textos que fazem a mulher se sentir cortejada, lisonjeada, só pelo fato de ser mulher!

E...que venha o verão.
com seus tecidos leves e seus vestidos que inspiram os poetas e cantadores.

Todos colhemos benefícios com o verão:

Os homens colhem com os olhos,
Nós mulheres, com os ouvidos.


Abraço!

Andréa Motta disse...

Bom dia, Fernando!! Gostaria de lhe convidar para a blogagem coletiva COISAS DO BRASIL 2, que acontecerá no sábado, dia 13 de dezembro. O objetivo é falarmos das cidades onde nascemos ou moramos, e mostrarmos que o Brasil é rico em cultura.
Na primeira edição, você participou com o texto "Um chope e dois pastéis, por favor" e eu ficaria muito feliz de contar com sua participação na segunda edição. Um abraço!

leioomundoassim disse...

Fernando, vim agradecer sua adesão à coletiva Coisas do Brasil e avisar que já coloquei seu link na lista. Assim que eu receber a imagem do selo, avisarei para que você posso copiá-lo! Um abraço! Andréa Motta

Andréa Motta disse...

Fernando , o selo de divulgação de Coisas do Brasil 2 já está pronto. Um abraço!

o amnésico disse...

É, lá vem o festival de tentações outra vez: haja adrenalina e testosterona!

Auréola Branca disse...

Ops! Agora mesmo estou com um destes! Um bem curtinho, mostrando minha feminilidade e deixando que os outros vejam os limites da juventude. (risos)

Kika disse...

Decotado, cheirando a guardado de tanto esperar.

Fazia tempo que não vinha até aqui e esse passeio sempre vale a pena.

Vamos tomar um café?

Beijo!

Katia Mota disse...

Gosto muito desse texto, essa marca de feminilidade impresso nele...
Bjão