terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Crudelíssimas Dúvidas

Para começar o ano, um texto antigo... um texto do início de 2006.

Experiências com o segundo filho... era janeiro. E fazia calor.

Um ótimo 2009 para todos nós!



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Confissões da Segunda Paternidade...


De biscoitos e pernilongos



Há determinadas coisas neste mundo que, definitivamente, não são deste mundo. Mas, sim, de outro qualquer. Que não este, valha-me!


Escrevo estas frases de efeito - será que terão algum? – para falar de um diabrete que insiste, séculos após séculos, maternidade após maternidade, anos a fio e a pavio, em incomodar pais, mães e vizinhos. O impressionante é que não há literatura sobre o assunto, deixando todos imersos na escuridão. De qual diabrete estou escrevendo? As assaduras do bumbum.


Quem se interessar pelo tema, pegue lá o pai dos burros e passe os olhos pelos múltiplos significados da palavra assar, que origina o termo assadura. Todos os sentidos explicam, mas não na totalidade, o que deve sentir o guri ou guria, recém nascidos. Assar é o ato de tostar, crestar... Assar é consumir em chamas, queimar. Assar, abrasa, arde, irrita. Nesta toada fica fácil entender porque os vizinhos têm sempre um pacote de polvilho pronto e separado para entregar para os pais de pequenos infantes. Polvilho, meus caros, polvilho, que não serve só para biscoito. O melhor dos usos para o polvilho é mesmo o de embranquecer o bumbum e a água do banho e funciona como um amuleto, um talismã, uma reza. Pais e Mães de todo o mundo, não se ofendam, nunca, com seus vizinhos se estes seres piedosos aparecerem no meio da noite com um pacote de farinha na mão, suplicando: “Olha, foi minha vó que ensinou... esse chorinho é assadura e para assadura, só polvilho!”


Eu fico cá escrevendo estas palavras enquanto a mãe se engalfinha com o pequeno, lá no quarto. A cena é muito emocionante para nós, os pais, estas figuras tão pouco exploradas nos livros do bêabá infantil, parecendo até que os homens não têm sentimentos. Vendo a cena eu os tinha, o de desolação, principalmente, aliado a profundas e densas sensações de inutilidade e inevitabilidade. E os dois lá se engalfinham, porque parece uma luta renhida, daquelas de vale tudo. Pomadas, super gel para irritações cutâneas, óleo, o bom amigo polvilho e o pequeno gritando. Estica as perninhas, os braços. Chora e lamúria. E quando tudo parece se acalmar, pronto, lá vem outra rodada daquele cocozinho amarelo de recém nascido, que só de olhar já causa assadura.


Se um dia alguém me explicar a razão das assaduras estará desfeito um dos maiores mistérios do mundo. Não as razões óbvias, derivadas de explicações médicas, de irritações cutâneas, de umidade, de fricção. A razão que procuramos é aquela que explica a assadura, que vai ao âmago do problema, que faz o homem gritar “eureca”. Há coisas que não são deste mundo, definitivamente.


Assim como o pernilongo eu não consigo entender o porquê das assaduras, principalmente no bumbum daqueles que só sabem chorar para se proteger.


Mas há o polvilho, esta benção. De agora em diante, prometo: Toda vez que eu for ao supermercado, ao passar por um pacote de biscoito de polvilho, ao invés de só procurar aqueles pacotes com os biscoitos mais tostadinhos, agradecerei aos anjos e aos vizinhos. Evoé, polvilho!!!


O pequeno dorme, mansamente. As mães enfrentam quaisquer diabretes, quaisquer.


2006.

Um comentário:

Ludmila Roumillac disse...

Rsrsrsr, muito bom! Apesar de eu não ter filhos e nunca ter passado por esse problema, mas viva o polvilho! rsrsrsrs, Beijo!