quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Desses jogos que não queríamos nunca ter que jogar...

Pensei muito se deveria ou não publicar este texto. É que os demônios da gente ficam zanzando, cutucando, demolindo.

Mas escrever é o único jeito que sei usar para falar de mim. E, as vezes, de me expor. Não gosto das perguntas, não gosto do falar.

Mas tem cousas que se a gente guarda só com a gente, não aguenta.

Enfim....

Obrigado a quem visita.

PS1 (pós postagem) - E um puta obrigado a quem está por aqui, e que tem aguentado os demônios também: Rêre, Du, Pi, Marisa, Dani e os meninos.

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Tá certo. É hora de escrever para exorcizar um pouco os fantasmas, literalmente. Afinal, já é fevereiro. Mas algum lugar da alma parou lá em dezembro, mais especificamente no dia 18 de dezembro.

Era um dia esquisito. Dos mais esquisitos destes anos todos. Minha mãe teve diagnosticado um câncer. E ia operar para extirpar o tumor. “Tudo relativamente simples” diziam os médicos. E, conversando com amigos aqui e ali, vários relatavam episódios similares e boas resoluções. Mas minha mãe estava assustada, com razão. E este assustado nos deixava apreensivos. Ela fez de tudo para que antes da operação lavrássemos uma procuração em nosso nome, para “eventualidade”. Confesso que sempre temo por estes rompantes de organização numa família que sempre foi mais para o macarrão de domingo na hora que der.


Pois bem, a operação se deu. “Tiramos tudo”. Se por um lado o relato do médico nos deixava confiantes, por outro, a perspectiva era de que seriam necessários “radio e quimioterapia”. É sempre um cacete ouvir estas coisas e manter o “otimismo” ou o “tá tudo bem”. Mas dentro do possível, era isso mesmo: O barco que navega.


A mãe teve uma estada no hospital, no pós-operatório, tumultuada. Para os filhos, tão acostumados com a mãe, era estranho vê-la tão frágil. Não que ela não estivesse frágil desde o
AVC do meu pai, em 2006. E ela cuida dele como não cuida dela, preocupada, atenta e, por vezes, monotematicamente. E exatamente por reconhecermos que ela estava cansada, extremamente triste e inconformada com que aconteceu e acontece com o meu pai, estávamos muito preocupados.


O fato é que ela saiu do hospital, a tempo de passar o ano novo conosco. Foi uma festa de Natal das mais tristes no ano que passou. A mãe no hospital e os filhos sem saber muito que fazer... Mas o tal “reveillon” estávamos todos juntos. Mas algo estava errado: Dona Maria Helena sentia dores e um mal estar, cansada e deprê, daquela depressão que nos consome, que nos tira força, o viço, à vontade.


O inevitável, ela voltou ao hospital. Em janeiro, dia 14. Diagnosticaram que era necessário puncionar excessos de líquidos no organismo. E o melhor nesses casos era uma internação na UTI.


Enfim, Maria Helena está lá desde então. Lutando. Talvez pela saúde debilitada, talvez pelo excesso de tristeza, talvez por tudo isso e mais um pouco, o fato é que se conspirou para um agravamento da situação: insuficiência pulmonar, coração sobrecarregado, infecções. E o quadro é grave.


Escrevo estas coisas, sem metáforas tão comuns em outros textos, porque este trem está a me embrutecer e a criar demônios, estes seres inquietos que nos nublam as idéias e as vontades.


Queria que minha mãe soubesse que toda a tristeza acumulada nesses anos todos não nos passou despercebida. E que nossa impotência está exatamente em reconhecer as razões do machucado e não ter idéia de onde começar a tratar. Mas que a Baixinha, a Moleca, a nossa mãe pudesse lutar mais um pouco e ganhar mais um jogo, para que tivéssemos a chance de enfrentar juntos esta tristeza, por mais que esta esteja treinada, preparada e atue no ataque. Nós temos algo, mãe, que a tal tristeza não tem. E, sobretudo temos tua valentia.


Vai lá, Baixinha, ganha essa.


Beijo, te amamos.

16 comentários:

Alessandra Terribili disse...

Torcendo muito por ela e por vcs, Fer.

k. disse...

pega em todas as valentias.
não é hora de encontrar razões de Ontem.
tempo é de catar todo o amor, esse, o do teu dentro, e plantar no colo da Mãe. como sementinha de germinar flor-força.
tempo é de sorrir muito para ela. há que entregar alegrias para ela beber. alegrias são luz de curar.
um abraço.
sem metáforas.

Carolzinha disse...

Força pra nós dois.
Beijos.

Lucia disse...

Há quem desate aos tiros, há quem se feche em copas. Não é fácil mesmo falar sobre pessoas que amamos. Te entendemos.

Otimismo deve ser o sentimento da vez. Não desitam!

Boa sorte à toda a família. Que tudo ocorra pelo melhor.

Sinta-se carinhosamente abraçado.
Lucia

Anônimo disse...

um beijo. veronika

Denise Carceroni disse...

Fê,

Sem palavras com seu texto, mas com muito para falar. Nos últimos dois anos, tive minha mãe na UTI por duas vezes. O problema inicial diferente da sua, mas o quadro idêntico, pulmão e coração sofrendo e infecções.
Nessa hora ficamos pequenininhos, não importa nossas crenças, não importa o quão fortes nós somos...
Minha mãe saiu das das duas para casa, mas hoje tem a saúde debilitada, é totalmente dependente, usa fraldas, cadeira de rodas, toma uma quantidade enorme de remédios, isso tudo aos 65 anos, enfim, tem uma vida que não é vida e pior, está totalmente consciente disso.
Eu faço visitas semanais sabe para quê? Para organizar as coisas. Sabe porque? Por que a próxima internação acontecerá mais cedo ou mais tarde e será a mesma coisa, me sentirei pequenininha, esquecerei, mesmo que momentaneamente, tudo em que acredito, mas terei que ser forte, porque na hora que ela sair de lá, eu terei que cuidar de tudo, independente do local para onde ela vá.
Então, meu querido amigo, o que posso te oferecer nesse momento, tão familiar para mim, é que coloque tudo nas mãos de Deus e que peça à Ele que faça por ela o que for melhor. Deixo essa oração para você refletir:
"Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado...
Resignação para aceitar o que não pode ser mudado...
E sabedoria para distinguir uma coisa da outra."
Lembre-se que os laços formados em uma amizade como a nossa não há distância que afrouxe, não há tempo que enfraqueça, é como casamento, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Conte comigo!

Anônimo disse...

Amaralino,

Vamo-que-vamo...
Muita força !!
Isso vocês têm de sobra.
Estamos juntos.
Abração,

Jorge

Anônimo disse...

Ok, q aflição, não entendo nada de blog, só de facebook, não conseguia comentar, mas agora vai, nem sabia q. vc tinha um blog... Torcendo muito pela Maria Helena, muito mesmo. E liga de vez em quando, né, tenho saudades de vcs todos.
ps1: pq vc não tem facebook?
ps2: não sabia q vc gostava do deep purple.
bj
Ana lepsch

angelbet2008 disse...

Fe,


desejo a você e a sua família muita força, pensamento positivo e muita fé.

com carinho,

Su

Anônimo disse...

Grande Cara

Primeiro, todo o seu relato demonstra o quão sofridos são estes momentos. Muitos ajudam, descrevendo passagens semelhantes - que todos temos nas famílias (de macarrões, lazanhas ou sushis aos domingos).
Segundo, Da. Maria Helena é dessas pessoas que, pelo jeito, encaram o problema e "não reclama", segue em frente. Mas o organismo, às vezes, dá uns recadinhos de que está cansado, e a cabeça "diz" que tem de seguir em frente.
Nessa batalha ilusória, vence quem tem apoio - emocional, carinhoso, solidário, esperançoso.
E é isso que estão fazendo, pelo que relatou.
Portanto, meu amigo, a bola está com ela, pois é o jogo dela. Mas vocês certamente podem ajudar o time, sendo o "12º jogador"...

Conte conosco para ajudar a "incendiar" a torcida.

Abração

Carlos Henrique

Renan O. Pacheco disse...

Só quem passa que sabe,né?
Meu pai já perdeu (e não quer mais achar) dois tumores, com cirurgias e radioterapias.
Faz 2 anos que ele vive sem complicações.(Pois também já fez um transplante de fígado antes dos tumores)
E hoje, está tudo bem,
E o otimismo, por mais difícil que seja, tem que ser resgatado, porque tenho certeza que o otimismo de meu pai foi fundamental pra recuperação dele.

Boa sorte,
que tudo acabe bem...

Fernando Amaral disse...

Pessoal...

Tantos abraços assim... Obrigado.

A mãe está lá, na luta.

Abraço.

Renata disse...

Fê,
A Maria Helena vai ganhar esta luta, porque o time dela é valente!
Estamos aqui torcendo para que a vitória venha logo.
beijos pra vc e pra todo o time.

Maria Baldin disse...

Aqui na arquibancada como uma torcedora fiel que sou de todos vcs.Contando que serei chamada sempre que preciso.
Amo vc !!

Ludmila Roumillac disse...

Que vc tenha muita força nesse momento para passa-la a sua coroa...

Beijo.

Edu disse...

A boa notícia é que a mãe voltou para casa hoje, depois de quase 1 mês de UTI e 50 dias internada no hospital. Muita força, mãe! Te amamos!
Edu, irmão do Fernando. ;)