sexta-feira, 24 de abril de 2009

Outro texto publicado nos Bolonistas...


http://osbolonistas.zip.net/arch2008-04-01_2008-04-30.html#2008_04-04_18_05_02-2402205-25


Mais um daquela série de pequenas histórias de futebol.


Gosto destes textos.

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Mistérios da Mente Humana


Bolonistas gratos e os outros...


Ela torce para o Pelotas, a ingrata. A desculpa esfarrapada, e a ingrata não sabe o que é uma bola de futebol, é que o pai, os irmãos, os tios e os primos todos são torcedores daquele time de lá. Aquela coisa. A ingrata não sabe o que é um impedimento, desconhece a regra três, não sabe o que é linha de fundo, mas é Pelotas. Bem feito, a ingrata está na segunda divisão.


Fui eu que a levei, pela primeira vez, para ver Fellini. Ela chorou tanto ao fim de Amarcord que eu nem pude disfarçar o desconforto. “É uma obra de arte”, lacrimejava. A ingrata depois disso foi estudar roteiro, fotografia, história da arte e acabou se formando em cinema, Nova Iorque. E está com a corda toda nessas revistas especializadas.


E nossa viagem para Montevidéu? A ingrata esqueceu que fui eu que a levei ao tango, ao vinho chileno, ao alfajor argentino. E ainda fomos curtir as férias na Praia Mole. Ingrata, esqueceu Cuzco, as Cordilheiras, Arequipa e Lisboa. Se ao menos fosse Farroupilha, vá lá. Pelotas. Pelotas, minha mãe!


A cidade tem três times. Três. O xavante, o querido e heróico Brasil, o nome de nossa paixão. O Farroupilha, e aquele caneco de 35. E aquela outra coisa, amarela. Ela tinha que escolher justo a opção do juízo final? Ingrata. E eu que sempre me perguntava quais as razões dela nunca vestir aquele tubinho preto com laçarotes vermelhos... Era por causa do Brasil. Ingrata. Mil vezes.


A ingratidão crassa. Campeia. Dilacera. Ingrata é o que ela é.


“Cubillas!!! Cubillas!!!!”


Tenho que ir. Ela me chama. Temos que pegar os dois na escola. Mas acho que vou convidá-la, pela última vez, para ver o Xavante e Internacional, lá no Bento de Freitas. É a última vez, juro. De pé junto. Ela fica linda com esse vestido azul...


08. abril, 04.

3 comentários:

Andréa Motta disse...

Fernando, por onde você anda? Estou sentindo falta de teus textos. Espero que esteja tudo bem.

Renata Marques disse...

Que saudade daqui! Bom voltar!

Niara de Oliveira disse...

O amor é ingrato mesmo e mais ingratidão ainda é um Xavante se apaixonar e casar justo com uma áureo-cerúlea... Ninguém merece!
Lindo texto, não conhecia.
Beijo!