terça-feira, 13 de maio de 2008

Reflexões sobre o tricampeonato


Publicado um dia no Os Bolonistas...

http://osbolonistas.zip.net/arch2005-12-01_2005-12-31.html#2005_12-21_18_37_13-2402205-25

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Confissões da Segunda Paternidade
Perguntas e Respostas



"Ô Paiê..... Ô Paiê...."


Olhos curiosos. Eles falam pelos olhos, quase sempre. Olhares atentos e olhando a tudo e ao todo. E tudo acaba sendo motivo de pergunta, de porquês e de inevitáveis embaraços, porque explicar as razões de tal coisa ser amarela e não verde é algo que sequer os físicos sabem definir.


"Ô Paiê...."


Estávamos na quadra do prédio. Acompanhados de uma simpática bola de futebol do Tricolor, aquela altura já tricampeão do mundo. Torço muito para que a bola de futebol seja para ele algo mais íntimo do que é para mim. Eu venero a bola, idolatro. Mas a chamo de Vossa Excelência. Enfim, eles que sejam bons amigos. Tinha chovido, bastante, na noite anterior. A quadra tinha poças consideráveis e foi inevitável que pai e filho ficassem descalços brincando de escorregar pelo limo que se tornou a quadra. Eu tentei segurá-lo algumas vezes, noutras ele caiu. E ria. "Porque cai? Porque o Antônio cai, papai?" "Porque a quadra está escorregadia por causa da chuva."


"Ô Paiê... Paiiiiiiiiêêê!!!"


Inevitáveis algumas perguntas, e acho que ele de fato queria muito boas respostas, para as novidades dos últimos dias. "Pai, porque o Leonel não fica de pé?". "Porque o Leonel não fala?". "Porque a mamãe fica com o Leonel?" Fui respondendo, uma a uma, as questões. As respostas seriam convincentes se a velocidade das perguntas fosse um pouquinho menor. E os olhos... falando, gesticulando. Perguntando. Entre uma risada e outra, um escorregão a mais, um chute na bola e um grito de "tricampeão" que deixou o pai totalmente imenso parecendo balão que ia explodir.


"Ô Paiê...."


Ops... Num átimo ele correu para dar outro chute na pelota e bum... rastabum no chão, de costas, com os pés erguidos, tombo de cinema. A camiseta branca ficou escura. E chorou. Saí correndo para acudir. "Filho, acontece, não foi nada!" Um abraço e os soluços continuavam, foi só o susto. "Pai, papai, porque o Antônio caiu?" "Ora, filho, o Marco Antônio correu e escorregou no chão molhado, isso acontece." "Pai, mas porque caiu?" "Filho, o papai quando tinha a sua idade também caía bastante." "E quem levantava o papai?" "O seu avô filho, o vô Nilton, que é o pai do papai."


Enquanto isso, Leonel está ninando no colo da mãe. Feliz da vida. O danado já sorri e os olhos já sabem falar... o irmão entra em casa: "Mamãe... Mamãe... o papai levantou o Antônio, disse filho não foi nada, isso acontece." Acontece, filho. Acontece sempre. Pergunte para a Vó Lena.


2005. dezembro, 12.

2 comentários:

Rubens Gama Jr disse...

Já estão jogando juntos, os dois?
Abraço!

Eliana disse...

Este foi um daqueles texto de deixar o leitor com um nó na garganta.

Pelo menos leitores como eu, que já caiu e foi levantado pelo pai (ou irmão mais velho, como no meu caso) e que agora levanta o filho (filhA, no meu caso).

Aconteceu.
Muitas vezes.

E acontecerá muitas outras.

Realmente, acontece... ... ...


Um BJ.

Lilica.