quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Clássicos: Zona Leste x Zona Oeste

Festa ou Sábado?


Talvez fosse o único torcedor fanático do Nacional já existente ou nascido. O cara ia assistir o Nacional até no interior do estado, nos finais de semana. Quase morria pelo Nacional. Era paixão desmotivada, como toda paixão sincera.


A história do glorioso azul e branco transmutava-se: heróica, epopéia, homérica.
Lágrimas lhe escorriam a face quando lembrava do título da Copa São Paulo, ou quando do acesso a série A-2. Em compensação soluçava, desabava ao lembrar dos tristes jogos que demoveram-no de subir a série A-1 e pior, rebaixaram o time a uma divisão inferior. Anotava tudo num caderninho amarelado pelo tempo.


Uma vez o time de seu grande coração foi jogar contra a Paraguaçuense, a 400 quilômetros ou mais de distância da capital. Voltou tão abatido que esposa, filhos e parentes ficaram preocupadíssimos. O fato: o carro quebrara no meio da estrada, dormira em motel barato de caminhoneiro. E ele não conseguiu assistir ou saber o resultado do jogo, e já se faziam dois dias!! Dois dias e nada.


O danado ainda por cima tinha um sotaque "paulistanês", aquele inconfundível cheio de erres, “mêus” , bela, Orra e que tais. Seu único pedido para quando do fim da vida: ser cremado junto a uma camisa e uma bandeira do Nacional. E que as cinzas fossem espalhadas pelos gramados do Estado e quiçá do país, para que o Nacional fosse beneficiado por uma ajudinha divina e se tornasse invencível. Batizou o filho de Nicolau, para homenagear o estádio do time. E a filha... É a filha chamou-se Renata pois apesar de fanático, tinha bom senso.


Nicolau, nascido de bem com a vida só podia ser um imenso gozador. Cresceu e com oito aninhos adotou o Juventus para torcer. Dizia ser o grená da camisa. Pelo menos o clube da Moóca costuma freqüentar a primeira divisão com relativa assiduidade.


Acho que vou mandar essa historieta para o Ugo Giorgetti. Quem sabe ele não se entusiasma e faz um filme contando esta. Com o Otávio Augusto e o Abujamra no elenco, com sotaque italianado e camisas azul e branco.


texto publicado nos Os Bolonistas... http://osbolonistas.zip.net/amaral/arch2005-10-01_2005-10-31.html

Um comentário:

Renata M. Domingos disse...

O nome da filha dele é lindo!risos...
Belo texto.
Quer mandar pro Ugo?